A etapa da juventude, de transição e adaptação à nova existência, em geral é marcada por um período em que a pessoa ainda está sob influência majoritária de seus instintos mais primitivos, e com pouco domínio emocional (ou psicossomático) de seus impulsos. E nesse contexto de incertezas é importante saber lidar com a pressão do meio à nossa volta no momento de escolhas decisivas, especialmente aquelas que determinarão o nosso futuro, como é o caso da escolha da profissão. Este texto busca levantar algumas questões que podem auxiliar nesta escolha tão difícil.

É no período da juventude, de busca pelo autoconhecimento, que nos deparamos mais com a influência da cultura de uma sociedade sobre seus indivíduos. E a cultura se reproduz por meio de costumes, práticas, valores, tradições, regras ou instituições sociais. A cultura de uma sociedade, pela Conscienciologia, também pode ser entendida como um conjunto de holopensenes. Ou seja, módulos energéticos independentes das pessoas, que ganham forma mais ou menos fixa a partir de pensamentos, sentimentos e energias (pensenes), emanados pelas consciências de uma determinada localidade e que possuem grande poder atrator ou de influência.

 

 

 

A relação de uma consciência com a sua cultura é multifacetada e variadíssima, entretanto há uma tendência que pode ser observada na Terra: inconscientes quanto aos mecanismos da evolução e das próprias potencialidades, a maioria das pessoas mantêm um processo cíclico de retroalimentação da cultura. Esse movimento, a princípio relativo a cada consciência e cultura, quando analisado a partir da autocrítica, pode fazer com que naturalizemos práticas e valores por vezes já ultrapassados e obsoletos dentro de um entendimento mais completo da realidade e da própria evolução.

Ao invés de primarmos pelo esclarecimento e pela busca mais autonomia por meio do pensamento crítico e da atuação assistencial frente aos nossos pares, de modo geral cultivamos práticas, valores e instituições que alimentam a cultura da heteronomia. Antônimo de autonomia, a heteronomia significa, grosso modo, que agimos dentro de um sistema de pensamento, dado por natural, cujas regras, normas ou o controle provêm de fora.

Se levado ao extremo e de modo inconsciente, esse raciocínio leva a consciência a transferir as responsabilidades pessoais sempre a um ente externo a si mesma. Assim, frente a qualquer dificuldade, costumamos culpar a sociedade, os outros, alguma força oculta ou sobrenatural, o Universo ou até mesmo “Deus”. O mesmo vale para as nossas habilidades e facilidades que costumamos não assumir. A autonomia, por outro lado, pode ser melhor compreendida na prática, ao se assumir a responsabilidade pessoal e intransferível sobre os rumos da própria vida e evolução.

 

No processo de escolha da profissão, essa pressão holopensênica atua intensamente quando vamos estabelecer nossos critérios. Com perspicácia, Luciano Vicenzi aponta em seu livro três instituições sociais da mesologia (estudo do meio, da cultura) que são grandes fatores de influência externa. Elencamos estes abaixo, seguidos de alguns exemplos de questionamentos que podemos fazer quanto à escolha profissional:

1. Família: ambiente de intensas relações emocionais, é onde começam as primeiras pressões sobre a necessidade de atender às expectativas dos outros (VICENZI 2011, 39). Questões: Sofri pressão emocional para seguir determinada carreira? Até que ponto culpo minha família pela profissão ou faculdade que exerço?

2. Escola: onde se criam os condicionamentos cognitivos, levando ao embotamento criativo e crítico, trazendo a obediência como uma máxima inquestionável (VICENZI 2011, 42). Questões: Minha decisão na escolha da profissão levou em conta continuar me sentindo inserido dentro do grupo de colegas? Professores, de sua posição de referência e poder, desincentivaram o que eu tinha como sonho de realização profissional

3. Religião: de onde vem considerável parte dos valores éticos e morais de nossa cultura (VICENZI 2011, 45), seu domínio sobre as massas deu início à maioria das organizações políticas e de Estado ao redor do mundo. E essa influência ainda hoje impinge às pessoas o medo do desconhecido (especialmente de experiências parapsíquicas esclarecedoras), a repressão, o dogmatismo, e criação de dicotomias que empobrecem a complexidade das relações humanas, tais como bem/mal e certo/errado. Questões: Tenho medo de enfrentar dogmas religiosos que proíbem minhas escolhas sem explicação lógico-racional? Acho que a oportunidade profissional surgirá como um presente divino, por isso espero sem nada fazer?

A título complementar, aponto ainda outras duas instituições fundamentais, de influência global:

4. Mídia e indústria cultural: onde vemos a evocação de imagens e símbolos que reiteram o status quo por meio de diferentes mídias e veículos de comunicação em massa em prol do lucro, do imediatismo, do hedonismo e do consumismo, produzindo influência inimaginada sobre a população. Questões: Se programas e comerciais televisivos, filmes ou video-games ditam como me visto, me alimento, me valorizo e valorizo as minhas relações, que tipo de influência exercem sobre minhas escolhas profissionais? Eu entrei na onda da profissão da moda? Escolhi minha carreira só pelo status ou prestígio?

5. Mercado: o desejo de lucro e o poder econômico do mercado possuem abrangência ideológica inconteste, que influencia todas as outras instituições sociais de maneira profunda, uma vez que a sociedade intrafísica, em seu atual nível evolutivo, estrutura-se sobre as bases mercadológicas do capitalismo globalizado. Questões: Escolhi a profissão só pelo dinheiro? Quero trabalhar em uma empresa, mesmo sabendo das denúncias de graves violações de direitos humanos ou ambientais? No trabalho que escolhi, tenho como valor a meta da produtividade alta a qualquer custo? Para mim, a profissão é um fim em si mesmo ou um meio para algo maior?

A escolha da profissão é um momento chave na vida de qualquer jovem. Por isso, deve ser pautada com o máximo de autocrítica e discernimento possível. Para isso, fazer um levantamento dos anseios pessoais e das variáveis que interferem nessa decisão é um passo importante. Dúvidas paralisantes também não são saudáveis: se houver arrependimento, sempre é tempo de mudar de rota.

Além disso, quanto maior o autoconhecimento, maior a autonomia relativa de uma consciência. Nesse esteio, a técnica da inversão existencial (invéxis) é uma alternativa aos(às) jovens interessados(as) na antecipação das crises de crescimento e da assistencialidade por meio do autoconhecimento, catalisando a descoberta de nossas verdadeiras potencialidades enquanto consciências imortais, multidimensionais e multiexistenciais. Indo no contrafluxo da cultura atual, a invéxis possibilita a inversão do fluxo da vida comum, buscando desde jovem autonomia intelectual, econômico-financeira e energética, condições prioritárias à assistência profissionalizada e precoce ao nosso planeta.

 

 

 

Por mais que haja uma grande pressão holopensênica sobre você, dizendo o quê, como, onde e com quem deve viver, sua bússola interna pode apontar para um caminho mais maduro e assistencial desde a juventude. Por isso não acredite neste texto: critique, reflita, experimente. Aprofunde o conhecimento e o autoconhecimento. Tenha suas experiências a partir de seu abertismo, senso crítico e discernimento.

 

Referências

 

VICENZI, Luciano. Coragem para evoluir; 3ª Ed.; Foz do Iguaçu; PR; 2011. Páginas 39, 42 e 45.

CONSCIENCIOPÉDIA. Verbete: Cultura. Disponível em <http://pt.conscienciopedia.org/index.php/Cultura>, visualizado em 16/04/2015.

Igor Moreno é estudante de Direito. Voluntário e pesquisador do IIPC-SP, integrante do Grinvex-SP.