Joseph Banks Rhine, fundador do laboratório de parapsicologia da Universidade de Duke, realizando um experimento
Joseph Banks Rhine, fundador do laboratório de parapsicologia da Universidade de Duke, realizando um experimento

Sistematizada na primeira metade do século XX, a Parapsicologia obteve significativos avanços nos estudos dos fenômenos ditos paranormais, também chamados de parapsíquicos. Contudo, embora tenha sido aceita como ciência acadêmica pela Americam Association for Advancement of Science e prosseguir atuante até a contemporaneidade, ela ainda tem lacunas teóricas e práticas.

Outro segmento de pesquisa, a Conscienciologia, proposta pelo médico e pesquisador brasileiro Waldo Vieira no fim do século XX, é capaz de suprir algumas deficiências da Parapsicologia. Atuando enquanto linha de pesquisa independente das universidades e tendo como base a pesquisa participativa, esta ciência propõe um novo paradigma de pesquisa, com outras premissas e métodos pesquisísticos.

Neste artigo será abordada as semelhanças e diferenças entre a Parapsicologia e a Conscienciologia, os fundamentos de cada uma destas ciências, bem como suas lacunas, contribuições e possíveis futuros campos de pesquisa.

Parapsicolgia e sua História

A parapsicologia é a disciplina científica, criada por pesquisadores estadunidenses na primeira metade do século XX, destinada ao estudo de fenômenos parapsíquicos – paranormais ou percepções extra-sensoriais – tais como a telepatia, clarividência e premonição e suas implicações práticas e teóricas para o entendimento do funcionamento humano.

A principal precursora científica da parapsicologia foi a Metapsíquica, uma disciplina criada por pensadores europeus a fim de compreender melhor o funcionamento dos fenômenos ocorridos em sessões mediúnicas na época. Além disso, também havia a sistematização do espiritismo, do espiritualismo e da teosofia, tornando público e mais acessível o estudo e contato com paranormais.

Willian McDougall: pioneiro da parapsicologia

O primeiro pesquisador influente de parapsicologia foi o psicólogo britânico Willian McDougall, grande interessado por Metapsíquica. Lecionava Psicologia na faculdade de Harvard, mas posteriormente transferiu-se para a universidade de Duke, onde assumiu o departamento de psicologia e pode se dedicar à pesquisa de parafenômenos.

Posteriormente, interessados pelo parapsiquismo devido à influência de palestras espiritualistas de Arthur Conan Doyle, o biólogo e futuro parapsicólogo Joseph Banks Rhine e sua esposa foram ao encontro de McDougall em Duke a fim de contribuir nas pesquisas sobre Parafenomenologia.

Na universidade, Rhine lecionou aulas sobre filosofia e psicologia e deste modo conseguiu espaço para desenvolver suas pesquisas sobre Parapsicologia. Sua intenção inicial era provar a sobrevivência da consciência humana após a morte. Contudo, a fim de obter credibilidade acadêmica, originalmente direcionou seus estudos para a comprovação da objetividade de alguns fenômenos paranormais.

Parapsicologia e seus experimentos

Com isto, desenvolveu uma série de experimentos estatísticos a fim de comprovar matematicamente a existência da telepatia. Os experimentos eram feitos utilizando o baralho de Cartas Zener, consistindo em um conjunto de 25 cartas, divididos em 5 conjuntos de 5 símbolos: estrela, círculo, quadrado, cruz e ondas.  Os experimentos foram conduzidos de 3 formas diferentes:

  1. Telepatia. O indivíduo 1 pega uma carta e tenta transmitir telepaticamente para o indivíduo 2.
  2. Clarividência. O indivíduo 1 pega uma carta sem ver e o indivíduo 2 tenta captar informações sobre a carta.
  3. Precognição. O indivíduo 1 tenta predizer a sequência de cartas que serão tiradas pelo indivíduo 2.

Estes experimentos foram realizados contendo diversos alunos da universidade como voluntários e foram replicados por outros pesquisadores da mesma instituição. Desde o início dos testes, os resultados foram muitos positivos, superando estatisticamente as possibilidades de acerto por acaso.

A experiência mais significativa realizada por Rhine, tendo auxílio de seu assistente Joseph Pratt e o aluno Hubert Pearce, ficou conhecida como experimento Pearce-Pratt. Nele, Perce e Pratt captavam informações em condições mais adversas: em cubículos na biblioteca ou separados em prédios a 230 metros de distância.

No sucesso dos resultados obtidos, a possibilidade de fraude era somente de 1/298.023.223.876.953.125. Rhine publicou seus experimentos em um livro chamado Extrasensory Perception, traduzido para o português como Percepções Extra-sensoriais.

Parapsicologia: estabelecida enquanto ciência

Em 29 de julho de 1953, após diversas controvérsias, replicações, comprovações dos experimentos de Rhine e a consolidação da Parapsicologia como ciência, foi organizado pela sensitiva irlandesa Eileen Garret o 1º Colóquio Internacional de Parapsicologia. Nele, foram definidos os principais objetivos desta ciência:

  1. Estudos quantitativos das paraperceções;
  2. Abordagens psicoterapêuticas e psicanalíticas; 
  3. Fenômenos espontâneos;  
  4. Personalidade do sensitivo.

Neste evento, a comunidade científica se desviou do objetivo original da Parapsicologia e da Metapsíquica, inicialmente sistematizadas a fim de comprovar a sobrevivência do espírito após a morte. Foram preferidos os estudos de fenômenos menos polêmicos e de abordagem mais fácil, explicáveis somente por causas supostamente biológicas.

Em 1957, por sugestão de Rhine, foi criada a Parapsychological Association, conhecida pela sigla PA, tendo como seu primeiro presidente o parapsicólogo Robert A. McConell. Em 1996, a PA foi aceita pela American Association for Advancement of Science (AAAS), sendo por isso reconhecida oficialmente como uma ciência acadêmica.

Robert McConnel dedicou diversos anos de sua vida ao estudo de percepções extra-sensoriais (ESP) e telecinesia (psicokinesis ou PK). Chegou à conclusão de que estes fenômenos estão totalmente estabelecidos cientificamente, mas há recusa da maior parte dos cientistas em aceitar estes fenômenos.

Deste modo, concluiu que a ciência e os cientistas têm sistemas de crenças como qualquer outra linha de conhecimento e que somente a elaboração de outro paradigma de pesquisa será capaz de abordar o estudo do parapsiquismo.

Parapsicologia e os estudos de casos

Além dos experimentos estatísticos realizados por Rhine e outros parapsicólogos, também foram estudadas diversas casuísticas parapsíquicas envolvendo parafenômenos mais complexos e sensitivos de maior potencial.

A já citada Eileen Garret foi uma sensitiva e parapsicóloga Irlandesa, notória por suas habilidades parapsíquicas, intelectuais e empreendedoras. Teve importante papel de pesquisadora na segunda metade do século XX.

Dentre os diversos experimentos realizados por ela como sensitiva, destaca-se o caso do Dirigível R-101. Dois dias antes da sessão, o Dirigível R-101 se acidentou e matou toda a tripulação. Garret incorporou uma entidade denominada H. Carmivhel Irwin, o subcomandante do dirigível. Mesmo sem entender nada sobre engenharia, Garret deu tantos detalhes técnicos sobre o acidente que chegou a ser investigada por espionagem.

Outra sensitiva de grande renome foi a russa Nina Sergeyvna Kulagina, considerada a maior médium de efeito físico de sua época. Dona de casa da cidade de Leningrado, passou a ser estudada por pesquisadores após admitir ao seu médico ser capaz de produzir fenômenos paranormais.

Dentre os experimentos realizados, ela chegou a parar o coração de um sapo. Cético com o experimento, um psiquiatra de Leningrado desejou replicar o experimento, usando-o como cobaia. Após dois minutos, o experimento teve de ser suspenso, pois segundo as medições do eletrocardiograma ele poderia ter um infarto.

Talvez um dos mais famosos parapsíquicos da história, o israelense Uri Geller era capaz de produzir diversos fenômenos, mas também era notório por sua habilidade artística. Na infância começou a manifestar fenômenos parapsíquicos e na adolescência passou a realizar shows artísticos demonstrando suas habilidades.

Em uma bateria de testes realizados por pesquisadores de Stanford, ele mostrou ser capaz de entortar metais, prever o lançamento de dados, alterar o peso de objetos, visualizar desenhos a distância e alterar o curso de feixes de luz.

Diferenças entre Conscienciologia e Parapsicologia

A Parapsicologia teve importante papel na consolidação, divulgação e desmistificação das ciências parapsíquicas. Foi responsável por inúmeras publicações, desenvolvimento de experimentos e visibilidade de sensitivos. Contudo, há algumas lacunas epistemológicas e teóricas, tornando-a limitada para o estudo da consciência.

A Conscienciologia, embora ainda seja uma ciência relativamente nova, com boa parte de seu corpo teórico ainda centrado nas publicações de Waldo Vieira – propositor desta ciência, propõe novo paradigma de pesquisa e por isso levou as ciências parapsíquicas em nível superior a qualquer outra linha de conhecimento.

Diferenças entre Parapsicologia e Conscienciologia: princípio da descrença

A diferença fundamental entre a Conscienciologia e a Parapsicologia está no princípio epistemológico criado por Waldo Vieira, o princípio da descrença. Nele, é proposto ao experimentador que não acredite em nada, nem mesmo nas publicações conscienciológicas, parapsicológicas ou de qualquer área científica, mas tenha suas experiências pessoais sobre o tema.

Com este enunciado, a Conscienciologia não se enquadra no hall acadêmico por não satisfazer o sentido restrito de ciência, o qual busca maior isenção e objetividade. O princípio da descrença, também chamado de autoexperimentação ou autopesquisa, traz a subjetividade do pesquisador para o cerne do experimento.

As ciências acadêmicas convencionais consideram a consciência má observadora das realidades do universo, portanto ela própria não tem isenção suficiente para estudar a si mesma. Por isso, são buscados princípios gerais através de experimentos controlados, passíveis de replicação e medição matemática.

A Parapsicologia busca estudar a consciência seguindo o paradigma científico convencional, por isso realiza experimentos controlados com sensitivos, onde os pesquisadores não são parte ativa do experimento. Por esta razão, os parapsicólogos não foram capazes de adquirir maior visão de conjunto sobre o parapsiquismo nem de formular uma teoria consistente que fundamente seus fenômenos.

O paradigma consciencial proposto pela Conscienciologia não exclui a base experimental da ciência convencional, mas o enriquece trazendo a possibilidade da pesquisa participativa. Na Conscienciologia, a publicação de descrições pessoais de fenômenos parapsíquicos é tão válida quanto de experimentos laboratoriais.

Diferenças entre Parapsicologia e Conscienciologia: liberdade de pensamento

Outra diferença entre as ciências está na desvinculação da Conscienciologia de qualquer instituição acadêmica ou financiamento público ou privado. A Parapsicologia, por depender financeira e ideologicamente do status quo econômico e universitário, não tem liberdade de expressão para falar livremente de seus experimentos.

Prova deste fato está na desvirtuação da Parapsicologia em optar por não abordar fenômenos de maior polêmica ou revolução social, como a sobrevivência da consciência post mortem. Esta ciência preferiu o estudo de fenômenos superficiais, como a telepatia e a clarividência viajora, capazes de serem explicadas biologicamente, a fim de sofrer menos críticas de outros acadêmicos ou instituições de pesquisa.

A Conscienciologia é composta por instituições conscienciocêntricas, de caráter laico, universalista e baseado no voluntariado. Por esta razão, não tem dependências financeiras nem ideológicas e é capaz de desenvolver e publicar suas pesquisas livremente.

A Parapsicologia, por ter um paradigma de pesquisa limitado e estar refém de instituições acadêmicas e financiamentos tendenciosos, tem arrefecido as pesquisas parapsíquicas. Contudo, há o reconhecimento de diversos parapsicólogos das limitações que esta ciência possui. Portanto, é possível que nas próximas décadas haja grandes mudanças nesta linha de conhecimento.

Aplicações tecnológicas das bioenergias, detecção e potencialização da telepatia por aparelhos neurológicos ou mesmo outros avanços científicos inimagináveis ainda podem ser feitos, bastando para isso maior abertismo do paradigma científico.

Histórico da Conscienciologia

A Conscienciologia é a disciplina científica desenvolvida no final do século XX a fim de investigar a consciência de maneira integral, considerando seus veículos de manifestações, atributos, dimensões conscienciais, séries multiexistenciais e a influência das energias conscienciais e imanentes.

O médico e pesquisador brasileiro Waldo Vieira propôs o termo pela primeira vez em 1986 no livro Projeciologia: panorama de experiências fora do corpo humano, mas a ciência só foi sistematizada em 1994 com a publicação do livro 700 Experimentos da Conscienciologia.

Projetor consciente desde os 9 anos de idade, Vieira contribuiu com o movimento espírita desde a infância, chamando atenção por sua desenvoltura parapsíquica e erudição. Em 1956, passou a colaborar com o célebre médium Chico Xavier. Juntos chegaram a psicografar 17 obras em conjunto.

Em 1966 Vieira se desliga do espiritismo e passa a atuar como pesquisador independente do parapsiquismo e da projeção consciente. Após anos de pesquisas independentes, sem vinculação acadêmica ou religiosa, em 1981 no seu apartamento no Rio de Janeiro, Waldo inaugura o Centro de Consciência Contínua. Nesta instituição, eram realizados encontros parapsíquicos e debates sobre a Projeciologia.

Lançamentos: Projeções da Consciência e Projeciologia

No mesmo ano, a fim de começar a introduzir o público em geral ao estudo da Projeciologia, publica o livro Projeções da Consciência: diário de experiências foda do corpo. Nele são relatadas as experiências fora do corpo de Waldo no segundo semestre de 1979. A função deste livro era abrir as portas para o livro seguinte, o Projeciologia, publicado em 1986.

Em 1988, após a publicação de seu primeiro livro de grande influência, Waldo e outros colaboradores fundaram o Instituto Internacional de Projeciologia, ou IIP. Em 1994 é publicado o livro 700 Experimentos da Conscienciologia e o instituto muda sua razão social para Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia.

No ano de 1995, por iniciativa do grupo de pesquisa Socin Conscienciológica, foi dado início a construção do campus do Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC), hoje o principal campus de pesquisa da Conscienciologia. Com a construção de espaços administrativos, salão para eventos e demais estruturas, Waldo doa sua biblioteca pessoal para o CEAEC, hoje compondo mais de 100.000 obras. Em 2001, fixa residência definitiva em Foz do Iguaçu.

Ao longo destes anos, diversas instituições conscienciocêntricas foram fundadas, bem como diversos periódicos científicos também foram publicados. Atualmente (ano base: 2020), existem 24 instituições e cerca de 15 periódicos científicos ativos.

Em 2005, Waldo deu início a uma das atividades mais importantes da Conscienciologia, ativa até os dias atuais. Foram iniciadas as Tertúlias Conscienciológicas, atividade na qual são apresentados verbetes componentes da Enciclopédia da Conscienciologia. Embora tenha sido iniciada por Vieira, hoje qualquer pessoa pode submeter seu trabalho para a Enciclopédia e atualmente conta com mais de 700 coautores.

O que é a ASSINVÉXIS?

A ASSINVÉXIS é uma instituição conscienciocêntrica, de caráter científico, educacional e multidimensional, sem fins lucrativos, inaugurada em 22 de julho de 2004, com o objetivo de pesquisa, debate e divulgação da técnica da inversão existencial.

A inversão existencial, ou invéxis, é a técnica de planejamento máximo da vida, fundamentada na Conscienciologia, sem influências doutrinárias ou acadêmicas, visando a planificação das metas do Curso Intermissivo na vida intrafísica e a obtenção do completismo existencial.

A inversão existencial foi proposta em 1991 no 1º Congresso Brasileiro de Projeciologia, onde Waldo Vieira expos publicamente para diversos jovens colaboradores do IIP ou estudantes da Projeciologia as premissas da inversão existencial. Como consequência, em 9 fevereiro 1992 foi criado o Grinvex, ou Grupo de Inversores Existenciais, na cidade do Rio de Janeiro.

Nos anos seguintes, inúmeros Grinvexes foram fundados no Brasil nas demais unidades do IIP. Em 1994, com a publicação do livro 700 Experimentos da Conscienciologia, pela primeira vez foi publicada as premissas da inversão existencial.

Os Grinvexes foram – e continuam sendo – importantes centros de renovação da Conscienciologia, pois neles foram incubados futuros líderes conscienciológicos, bem como diversas atividades. Este grupo foi responsável pela criação de congressos, simpósios, periódicos científicos e instituições.

A ASSINVÉXIS foi proposta em 1999 no I Fórum de Investigación de la Consciência, em Barcelona, inicialmente como departamento do IIPC. Foi tornada instituição conscienciocêntrica em 22 de julho de 2004 durante o II Congresso Internacional de Inversão Existencial.

Neste artigo abordamos a história, os princípios e as diferença entre a Conscienciologia e da Parapsicologia. Se você tiver interesse em saber mais sobre o conteúdo desenvolvido pela ASSINVÉXIS, cadastre-se em nosso site e acompanhe nossas atividades.

Referências bibliográficas

  1. Alexandre Nonato, ASSINVÉXIS, disponível em: http://encyclossapiens.space/buscaverbete/index.php.
  2. Christiane Ferraro, Histórico Invexológico Grupal, disponível em: http://www.ceaec.org/index.php/conscientia/article/viewFile/284/277.
  3. João Ricardo Schneider, História do Parapsiquismo, p. 605 a 687.
  4. Waldo Vieira, Projeciologia: panorâma de experiências fora do corpo humano, p. 88 a 90, 993 e 994.