A adolescência é o período de transição entre a infância e a idade adulta, e é marcada por profundas transformações sociais, psicológicas e orgânicas. Dentre as mudanças orgânicas, estão incluídas modificações importantes na eficiência e especialização do cérebro: o amadurecimento cerebral.

Acreditava-se, há um tempo, que o cérebro estaria totalmente maduro na puberdade, porém estudos de imageamento cerebral revelam que o cérebro ainda está em desenvolvimento na adolescência. O cérebro adolescente sofre amadurecimento através do refinamento sináptico e na mielinização.

O cérebro é a principal ferramenta que utilizamos no intrafísico para o aprendizado e a evolução, de modo que o amadurecimento cerebral é uma fase importante para a fixação na programação existencial.
Fonte: Pixabay

Poda sináptica e o amadurecimento cerebral

Ao longo da infância e adolescência, perdurando até após a puberdade, ocorre perda de massa da substância cinzenta, eliminando conexões neurais desnecessárias, a chamada poda sináptica.

A perda da densidade da substância cinzenta, que ocorre progressivamente à medida que o cérebro amadurece, e é equilibrada por um aumento regular na substância branca, axônios ou fibras nervosas.² O aumento da substância branca parece perdurar para além da idade adulta.

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Porém, há uma ordenação de áreas diferentes para essas modificações, sendo que áreas diferentes tem picos de elevação e redução de massa cinzenta em momentos diferentes. As áreas de associação superior parecem se desenvolver apenas após o desenvolvimento das regiões sensório-motoras¹, o que explica a maior parte das tendências de comportamento, habilidades e inabilidades das crianças, adolescentes e adultos.

Durante a infância, ocorre o desenvolvimento do núcleo caudado, relacionado ao controle do movimento e do tônus muscular e na mediação de funções como atenção e estados emocionais, nos lobos parietais, que geram a compreensão espacial, lobos frontais de modo inicial, que geram funções de pensamento, e nos lobos temporais, que ajudam com a linguagem. ²

Córtex pré-frontal

Na adolescência, a poda sináptica ocorre principalmente no córtex pré-frontal, que é fundamental para o julgamento e a supressão dos impulsos, e temporal, e em estruturas subcorticais, como estriado, tálamo e núcleo accumbens. A redução da substância cinzenta, que é relacionada à maior eficiência cerebral, começa nas porções posteriores, e move-se para a frente, e no geral ainda não alcançou os lobos frontais na adolescência.

Na adolescência o córtex frontal ainda continua sofrendo alterações de substância branca típica do cérebro infantil, e ainda apresenta um ápice importante do aumento da substância cinzenta. Em geral, somente após o estirão da puberdade é que a substância cinzenta diminui muito no córtex pré-frontal, e ocorre nessas regiões a poda sináptica, ou desativação de conexões não utilizadas, e as que permanecem são fortalecidas.¹, ²

O cérebro adolescente sofre também aumento da mielinização, o que leva a melhor integração entre os tratos, e melhor condutividade sináptica. As conexões tornam-se mais espessas e mielinizadas ao longo do desenvolvimento. Sendo assim, os lobos frontais são as áreas finais do amadurecimento cerebral. Uma maior mielinização das conexões frontais-subcorticais permitem um melhor controle cognitivo apenas ao final da adolescência.

Portanto, segundo Kuhn, ao final da adolescência os jovens têm menos conexões neuronais, porém mais fortes, mais regulares e mais eficazes, tornando o processamento cognitivo mais eficiente.³

Referências

1 – Papalia, Diane E.; Feldman, Ruth Duskin,; et al.;Desenvolvimento Humano; Revisão técnica Maria Cecília de Vilhena Moraes Silva et al; 800 p.; 12. Ed.;AMGH;Porto Alegre, RS; 2013

2- Squeglia, B.A.; et al; The influence of substance use in adolescente brain development; Article; Clin EEG Neuroscience; Author manuscript; National Institutes of Health NIH Public Acess; University of California; San Diego; 2009 January; 40(1); pg 31-38.

3- Kuhn, Deanna; Do cognitive changes accompany developments in the adolescent brain?; Article; Perspectives on Psychological Science; Vol 1; N. 1; Columbia University; New York, NY; 2006; páginas 59 a 67.