É muito comum os adolescente apresentarem comportamentos de risco. A adolescência é a fase da vida de transição entre a infância e a adultidade, sendo uma fase da vida sabidamente problemática. Nesta fase da vida, a pessoa está, em geral, buscando entender-se, formando as bases da própria personalidade.

O adolescente é, em geral, menos maduro que o indivíduo adulto, em função da sua pouca experiência de vida. Porém na juventude são tomadas decisões que geram consequências para o restante da vida humana, positiva ou negativamente. É notório que a pessoa na adolescência tende a manifestar comportamentos de risco, outros comportamentos imaturos, e características como impulsividade, baixo limiar de frustração, conflitos íntimos, desorganização, imprudência, impaciência, dispersividade, rebeldia, entre outros. 

A fase de manifestação infantil e adolescente da vida, caracterizada pelo predomínio dos traços fartos mais primitivos pode ser denominada Porão Consciencial ( https://www.youtube.com/watch?v=uJrSZe2uH4E&t=2s ), segundo as pesquisas de Waldo Vieira (VIEIRA, 2018).

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Mas porque o jovem tem mais tendência a comportamentos de risco em comparação a pessoas de mais idade? Existe alguma explicação neurobiológica para esse fato? 

O QUE EMBASA OS COMPORTAMENTOS DE RISCO NA JUVENTUDE?

Estudos observacionais e neurofisiológicos demonstraram que o cérebro na adolescência ainda não está totalmente desenvolvido. A estrutura cerebral ainda passa por transformações marcantes nesse período da vida. Segundo Papalia (2013), “mudanças dramáticas nas estruturas cerebrais envolvidas nas emoções, no julgamento, organização do comportamento e autocontrole ocorrem entre a puberdade e início da vida adulta”.

Segundo Steinberg, a propensão para comportamentos de risco parece resultar da interação de duas redes cerebrais (STEINBERG, 2007):

1. Uma rede socioemocional que é sensível a estímulos sociais e emocionais, tal como a influência dos pares.

2. Uma rede de controle cognitivo que regula as respostas a estímulos.

A rede socioemocional torna-se mais ativa na puberdade, enquanto a rede de controle cognitivo amadurece mais gradualmente até o início da idade adulta. Segundo esses pesquisadores, isso poderia explicar a tendência a explosões emocionais e a comportamentos de risco na adolescência, ocorrendo ainda mais frequentemente em grupos. Impulsividade. 

Os sistemas corticais frontais ainda não desenvolvidos associados à motivação, impulsividade e adicção poderiam explicar, por plausibilidade, porque os adolescentes buscam excitações e novidades, permitem que os sentimentos se sobreponham à razão e por que muitos têm dificuldade para se concentrar em metas de longo prazo (PAPALIA, 2013).

COMO SE DÁ A INTERFERÊNCIA DAS COMPANHIAS DOS JOVENS NOS COMPORTAMENTOS ANTISSOCIAIS E DE RISCO?

Na juventude, em função da busca pela autoidentidade e formação da personalidade, as relações são importante fonte de apoio emocional. Os grupos de pares são fonte de afeto, acolhimento, compreensão e orientação moral, ambiente para experimentação e formação de relacionamentos íntimos que servem de ensaio para a intimidade adulta, e um ambiente para conquistar autonomia e independência dos pais.

Segundo Papalia (2013 p. 442), os adolescentes começam a confiar mais nos amigos do que nos pais na busca de intimidade e troca de confidências, com tendência de envolvimento em comportamentos levemente antissociais para demonstrar aos amigos a sua independência de regras parentais e disposição a violar regras para obter aprovação dos pares e popularidade.

Em um estudo experimental, realizado na Filadélfia com 306 adolescentes, foi utilizado videogame para mensurar a influência à propensão de riscos. Em todas as faixas etárias, a propensão aos comportamentos de risco era mais alta na companhia dos pares do que sozinho, porém mais evidente para os participantes mais jovens. (GARDNER; STEINBERG, 2005)

A influência do grupo, assim como irmãos mais velhos e seus amigos, no consumo de tabaco, bebida e drogas ilícitas foi extensivamente documentada pelo centro CASA (Center on Addiction and Substance Abuse), da Columba University. A incidência do primeiro contato e consumo dessas substâncias é significativamente maior por influência dos pares.

Importa ao jovem compreender as próprias manifestações.

Para compreender a si mesmo, e aproveitar melhor a vida humana, vale a pena estudar sobre o desenvolvimento humano como ocorre o desenvolvimento cerebral e fisiológico das pessoas em geral, a fim de separar, na sua manifestação, o que pode ser decorrente dos impulsos do corpo e do cérebro.

De acordo com as pesquisas da Invexologia (https://assinvexis.org/invexologia/ ), especialidade de pesquisa da Conscienciologia ( https://assinvexis.org/conscienciologia/ ), quem consegue, mais rapidamente, superar as limitações do porão consciencial pode adquirir maior lucidez e autodiscernimento.

Referências:

  1. Vieira, Waldo; Dicionário de Neologismos da Conscienciologia; org. Lourdes Pinheiro; revisores Ernani Brito; et al.; 1.072 p.; 1 blog; 21 E-mails; 4.053 enus.; 1 facebook; 2 fotos; glos. 2.019 termos; 14.100 (termos neológicos); 1 listagem de neologismos; 1 microbiografia; 21 websites; 61 refs.; 28,5 x 21,5 x 7 cm; enc.; Associação Internacional Editares; Foz do Iguaçu, PR; 2014.
  2. Center on Addiction and Substance Abuse at Columbia University (CASA). (1996, June). Substance abuse and the American woman. New York: Author. ; Disponível em<https://www.centeronaddiction.org/addictionresearch/reports/substance-abuse-and-american-woman>; Acesso em: 04.10.2018.
  3. Vieira, Waldo; Porão Consciencial; verbete; In: Vieira, Waldo; Org.; Enciclopédia da Conscienciologia; apres.; Associação Internacional de Enciclopediologia Conscienciológica (ENCYCLOSSAPIENS); &Associação Internacional Editares; Foz do Iguaçu, PR; 2018; ISBN 978-85-8477-120-2; páginas 17.614 a 17.617; disponível em: <http://encyclossapiens.space/nona/ECDigital9.pdf>.
  4. Steinberg, Laurence;Risk taking in adolescence: New perspectives from brain and behavioral Science; Article; Current Directions in Psychological Science; Vol. 16; N. 2; Association for Psychological Science;2007; páginas 55 a 59.
  5. Papalia, Diane E.; Feldman, Ruth Duskin,; et al.;Desenvolvimento Humano; Revisão técnica Maria Cecília de Vilhena Moraes Silva et al; 800 p.; 12. Ed.;AMGH;Porto Alegre, RS; 2013;
  6. Gardner, Margo & Steinberg, Laurence; Peer influence on risk taking, risk preference, and risky decision making in adolescence and adulthood: An experimental study; Article;  Developmental Psychology; Vol. 41; N. 4; American Psychological Association;Temple University; 2005; páginas 625 a 635.
  7. Matos, Guilherme; Porão Consciencial, Grupalidade e Reciclagem das Amizades Ociosas; Artigo; Gestações Conscienciais; Revista; Ano 2018; Vol. 9; Associação Internacional da Inversão Existencial; Foz do Iguaçu, PR; 2018; páginas 25 a 34.