Internet e Hiperconectividade acrítica

A internet é um dos grandes palcos de nossa vida hoje, permeando praticamente todas as nossas relações sociais. E o que marca as novas gerações é justamente esse convívio em um mundo superconectado desde o nascimento.

Dentro disso, sabemos que a juventude brasileira é uma das mais conectadas do mundo. Mas será essa hiperconectividade dos dias de hoje vem junto com a criticidade? Quais seriam os efeitos de não ter autocrítica na utilização da internet?

Por se tratar de uma tecnologia relativamente nova no planeta, de proporções globais e revolucionárias, nem sempre utilizamos a internet de forma autocrítica, aproveitando todo seu potencial evolutivo. Pelo contrário, vemos muita dispersão, consumo de cultura inútil e reforço de idiotismos culturais do Zeitgeist.

Internet é uma ferramenta positiva?

A internet é uma ferramenta neutra quanto à cosmoética. Na realidade, é a forma como é utilizada que produz efeitos positivos ou negativos para as pessoas. Mas não se engane: a própria linguagem não-linear da rede somada ao modelo de negócios de muitos sites e redes sociais ativam em nossos cérebros sentimentos de insatisfação e ansiedade, podendo inclusive provocar o vício das pessoas em internet.

A dependência em internet é um problema real e cada vez maior entre os jovens, podendo prejudicar o desenvolvimento cognitivo e dos atributos conscienciais, como a autocrítica. Uma pesquisa de 2016 realizada pela Amdocs em dez países aponta que os jovens brasileiros são os mais dependentes da internet.

Este site, por exemplo, é formado por uma rede de especialistas de diferentes áreas e visa auxiliar pessoas com dependência de internet, com informações técnicas, dicas do dia a dia e testes para você ver se é dependente de internet.

Mas não precisa chegar ao extremo do vício para analisar se você tem autocrítica na internet. Preparamos um teste para você medir o nível de sua autocrítica no ambiente da rede mundial na próxima seção.

FAÇA O TESTE: você tem autocrítica na internet?

Separamos alguns fatos comuns ao ambiente da internet que sugerem a grande falta de autocrítica no uso desta ferramenta, especialmente entre os jovens. Analise com sinceridade cada um destes itens, respondendo sim ou não.

1. Assédio. Costumo perseguir pessoas nas redes sociais?Sou um stalker profissional ou amador?

De acordo com o portal TecMundo, “stalking é a vigilância exacerbada que uma pessoa dispensa a outra, muitas vezes forçando contatos indesejados.” Seja por pura curiosidade de bisbilhotar a vida alheia ou por perseguição descarada daquela pessoa que você ama ou odeia, passar tempo buscando informações dos outros na rede não passa de assédio profissional.

Do ponto de vista extrafísico ou multidimensional essa atitude gera acoplamentos energéticos, assimilações simpáticas patológicas, intrusões pensênicas e vampirização energética. Não tem como se desassediar sem deixar de querer assediar os outros.

2. Bizarrice. Sou atraído por fatos grotescos ou perco tempo com curiosidades mórbidas na rede?

São inúmeros sites, comunidades e canais no Youtube voltados a explorar a curiosidade mórbida e o fascínio pelo grotesco, especialmente dos jovens. Esse tipo de atração é característica do período mais imaturo das consciências na vida humana, chamado de porão consciencial, muitas vezes portando a Síndrome de Abstinência da Baratrosfera (SAB).

As evocações de bizarrices, doenças, assassinatos e tragédias se conectam diretamente com as comunidades extrafísicas mais densas da troposfera, onde há a exaltação e vivência de inúmeras patologias e do sofrimento humano. É difícil ficar mais lúcido trazendo a baratrosfera para dentro de casa.

3. Games. Passo horas jogando games? Quero ser um gamer profissional?

Muitos hoje consideram os games assunto de gente grande. Proliferam-se olimpíadas de videogames, e campeonatos mundiais têm ganhado visibilidade. Só o youtuber Rezendeevil ganhava em 2018, cerca de R$ 148 mil ao mês, com videos sobre games.

Youtuber Pedro Afonso Rezende do canal RezendeEvil
Pedro Afonso Rezende, o youtuber RezendeEvil. Fonte: Google imagens

Por mais que você possa achar um bom passatempo, os games não são a vida real. Quanto mais autocrítica a pessoa, mais ela pensa sobre cada detalhe de sua vida, inclusive as suas opções de lazer. Nesse ponto, vale dizer que explorar a multidimensionalidade por meio do desenvolvimento sadio do parapsiquismo é muito mais interessante e motivante do que ganhar pontos em qualquer realidade virtual.

4. Superficialidade. Fico somente na informação rápida e superficial? Já compartilhei alguma notícia sem ler o seu conteúdo todo?

Compartilhar notícias sem ler ou checar os fatos é mais comum do que se pensa. E mais uma vez os mais jovens são mais afetados: além do fato de as notícias falsas se espalharem 70 vezes mais rápido que as notícias verdadeiras, um estudo realizado em 2018 pela DNpontocom, empresa especializada em segurança digital, aponta que 7 a cada 10 brasileiros nascidos entre 1990 e 2010 só leem os títulos das notícias.

Outra forma de superficialidade é a chamada “wikierudição”, das pesquisas com pouco conteúdo, sem fontes confiáveis e, por isso, e de qualidade questionável. A Wikipédia é uma ferramenta fantástica que mostra o potencial comunitário e colaborativo da internet, é mais bem utilizada enquanto fonte de informação rápida, ou para uma primeira consulta.

A internet deu espaço para qualquer cidadão manifestar sua opinião. Mas num mundo onde todo mundo tem opinião sobre tudo, a autocrítica vira ferramenta obrigatória de sobrevivência.

5. Militância. Utilizo das redes só para reforçar e convencer os outros de minha ideologia? Faço militância virtual ou repito os mantras de algum cyberguru sem questionar?

No processo eleitoral de 2018 foi a primeira vez que o whatsapp foi utilizado maciçamente para influenciar eleições por meio da disseminação de notícias e memes. Vimos crescer as bolhas ideológicas de todos os matizes, porém sem diálogo frutífero entre elas. Pelo contrário, cresceu o número de militantes com posições fundamentalistas e belicistas.

Além disso, seguir um guru da internet e repetir suas palavras e críticas sociais sem refletir ou questionar previamente, seja ele intelectual, médico, político, economista ou místico, por mais razoáveis e interessantes que possam ser suas ideias, não faz de você também inteligente ou crítico.

6. Teorias. Tenho hábito de buscar ou acreditar em teorias da conspiração nas redes?

Eis alguns exemplos famosos de teorias da conspiração que circulam nas redes:

Mais uma vez, informação superficial e sem consistência. Não é porque existe uma página na internet ou um canal no youtube com argumentos muito convincentes à primeira vista (será?) que você deve acreditar e ainda por cima sair por aí espalhando sem verificar ou duvidar minimamente.

Nesses casos, é mais interessante usar o princípio da descrença: não acredite em nada, nem mesmo no que você lê aqui neste site. Refute, critique, pesquise outras fontes, reflita e, principalmente, experimente!

7. Golpes. Já caí em algum golpe na internet?

Correntes místicas, notícias alarmantes, pedidos de ajuda, soluções muito simples para problemas complexos ou a oferta de produtos grátis. Cair em golpes na rede não só revela falta de autocrítica, mas bastante ingenuidade com relação ao que se passa na internet.

O golpe mais recente que circulou pelo whatsapp era um link falso que oferecia uma caixa de lápis de cor da Faber Castell de graça para roubar seus dados. Em primeiro lugar, não existe absolutamente nada grátis no mundo! Se estão te oferecendo algo de graça, desconfie, porque há um interesse por trás, que pode não estar claro. Em segundo lugar: se tais golpes existem, é porque as pessoas caem. E se as pessoas ainda caem, é porque falta autocrítica!

Reflita: ao clicar no link para obter o item de graça, você precisa mesmo de uma caixa de lápis de cor ou é só para sentir o gostinho de obter algo sem esforço?

8. Exibicionismo. Gosto de exibir meus dotes físicos ou intelectuais na internet? Fico ansioso depois que posto algo para ver quantos likes terei?

Escrever textão lacrador, postar uma foto do livro de filosofia que está lendo, postar aquela foto de frente para o espelho com biquinho e combinação sexy ou com os músculos de fora,compartilhar com os coleguinhas o suado dia a dia na academia… São alguns exemplos do exibicionismo nas redes.A lista é quase infinita e estamos na era do narcisismo digital.

Se você preza pela evolução pessoal e gosta de cultivar a autocrítica, vale se perguntar: qual a minha intenção? Qual a minha necessidade por trás desse ato? Com quais companhias extrafísicas estou me afinizando? Será que vale a exposição? Não há outros meios de suprir tais carências?

Imagem ilustrativa de letreiro luminoso escrito "#bota no insta"
Hoje a vida é mero cenário para a realidade virtual onde tudo é instagramável.
Fonte: Destak Jornal.

O exibicionismo revela carências afetivas e sexuais, necessidade de interconexão, aceitação e aprovação social, gerando até dependência por likes, como já expomos acima. A exposição excessiva da vida pessoal na internet ainda pode gerar aumento do assédio intra e extrafísico sobre o jovem que gosta de se exibir.

9. Celebridades. Faço parte de algum fã clube? Acompanho ativamente celebridades nas redes sociais?

Seguir celebridades no Instagram, e curtir dia após dia os novos looks, poses e sorrisos de Bruna Marquezine, ou no Neymar, por exemplo, revela a mesma despriorização de quem busca atenção e likes nas redes.

Este site para adolescentes fez uma lista de 120 famosos para seguir no Instagram. Precisa dizer mais alguma coisa?

10. Procrastinação. Quantas vezes por dia procrastino na internet? Quanto tempo útil de vida já perdi procrastinando?

O termo procrastinação, que significa demorar ou adiar uma tarefa importante, se popularizou com a internet, e faz parte indissociavelmente do mundo da hipermídia. A procrastinação na rede geralmente ocorre quando há uma tarefa a ser cumprida, e a pessoa perde tempo desnecessariamente navegando ao léu.

Ilustração de jovem conectado na internet através de vários dispositivos diferentes
Fonte: Google imagens.

A quantidade de estímulos e informações que recebemos hoje demanda de nosso cérebro maior esforço para concentrar em uma única tarefa. Basicamente, a procrastinação é um tipo de autocorrupção que deixa a pessoa frustrada por ter assimilado um monte de cultura inútil ao invés de ter feito o que havia se proposto.

Atenção: se isso é algo que você acha que foge do seu controle, pode ser legal buscar ajuda profissional. É algo que pode melhorar muito a sua qualidade de vida!

11. Nudes. Já enviei ou recebi alguma foto íntima pela internet?

Como se não bastasse o hábito disseminado entre jovens de postar fotos com roupas íntimas na rede, e a autoexposição desregrada da vida pessoal, é cada vez mais comum mandar fotos de seus órgãos sexuais para outras pessoas, correndo risco de sofrer sérios estigmas virtuais.

Este site do portal UOL ensina garotas a enviar nudes “sem riscos de exposição”, mas será mesmo que o risco vale à pena? As possíveis repercussões negativas dessa promiscuidade energética e sexual são inúmeras, desde intensificação do assédio extrafísico, autoculpa, até tentativas de suicídio ou suicídios consumados.

Não há como ter um relacionamento afetivo maduro e saudável que não tenha contato físico e profundidade de diálogo entre os parceiros. Mesmo se for para apimentar a relação, o que você faria se suas fotos íntimas vazassem para a rede? Autocrítica é autorresponsabilização.

12. Pornografia. Consumo pornografia na internet? Qual a regularidade?

No mundo, os sites de pornografia recebem tráfego maior que Twitter, Netflix e Amazon a cada mês. A cada segundo, 28.258 pessoas assistem vídeos pornográficos.  No Brasil, 22 milhões de pessoas assumem o hábito de consumir pornografia, e grande parcela é dessa população é jovem.

A pornografia, além de incentivar uma das indústrias mais violentas do mundo, envolvendo crianças e mulheres exploradas, pode causar graves problemas psicológicos nos jovens, ativando regiões do cérebro que geram dependência e afetam seriamente a sexualidade dessas pessoas. Muitos jovens viciados necessitam de tratamento psicológico.

Do ponto de vista extrafísico, o consumidor de pornografia faz conexão com consciências em bolsões patológicos, que utilizam das fantasias sexuais para vampirizar energias, deixando um rastro energético difícil de desassimilar, e prejudicando toda a organização dos pensamentos ao longo do dia.

Resultado: se você respondeu SIM a qualquer uma destas questões, já vale à pena refletir mais sobre como tem utilizado a internet.

Evolução pessoal e inversão existencial

A reflexão na autocrítica exige enfrentamento de desconfortos emocionais e até físicos. Exige autoaprofundamento, para buscar entender o que se passa internamente e tentar evoluir, reciclando o comportamento e o modo de pensar.

Está certo que esse movimento de analisar e criticar as próprias atitudes é um pouco doloroso, mas só assim conseguimos nos tornar pessoas mais maduras, responsáveis, íntegras e confiáveis. Além disso, a autocrítica evita que os erros se perpetuem e se tornem problemas maiores no futuro. Em resumo: a autocrítica é o motor da evolução pessoal.

A autocrítica é esse momento de se olhar no espelho e corrigir algo que pode dar muito errado lá na frente. Uma das bases da técnica da inversão existencial (invéxis) é justamente auxiliar no desenvolvimento da autocrítica desde a juventude, para construir uma vida com mais significado e maturidade e evoluir mais rápido.

A invéxis é uma técnica voltada à produção de escolhas evolutivas, auxiliando o jovem a pensar com mais liberdade no aproveitamento evolutivo da vida, na programação de vida e na interassistência, sendo impossível fazer escolhas sem autocrítica. Por isso, a autocrítica é a característica essencial do inversor ou da inversora.

Invéxis, assim, é refletir, ainda na juventude, quanto à sua própria consciência. É buscar se conhecer profundamente, distinguir fraquezas, vícios e maus hábitos dos autopotenciais, e não perdoar os próprios erros, posicionando-se quanto ao que é melhor para si tendo em vista o melhor para todos.

Se você tem interesse em aprofundar mais nos temas da evolução e da inversão existencial, veja nossos cursos online ou leia os artigos relacionados:

Autocrítica: a principal característica do inversor

Como organizar sua vida desde a juventude

Qual seu propósito de vida?

Como Fazer o seu Planejamento de Vida na Juventude em 3 Passos

REFERÊNCIAS

Verbetes da Enciclopédia da Conscienciologia:

  • Curiosidade Mórbida
  • Fascínio pelo Grotesco
  • Autocriticidade Inversiva
  • Estigma Virtual