A tatuagem é definida como mancha cutânea, permanente e indelével, deliberada ou acidental. É a arte de gravar na pele, por meio de pigmentos coloridos, ícones que simbolizam forças da natureza, doutrinas etc. É qualquer vestígio visível e relativamente duradouro: sinal, marca, cicatriz, estigma (VIEIRA, 1994, p.438; HOUAISS, 2001).

Para uma definição aprofundada no paradigma consciencial, deve-se considerar pelo menos os dez itens a seguir:

1)Holossomática, ou seja, a consciência, o self, está além do corpo humano, possuindo outros quatro veículos de manifestação;
2) Muldimensionalidade, de acordo com o veículo de manifestação, a consciência pode se manifestar em diferentes dimensões;
3) Multiexistencialidade, a consciência passa por sucessivos ciclos alternando a vida humana com um período extrafísico;
4) Bioenergias, no universo só existe consciência e energia, e a consciência tem a possibilidade de manipular as bioenergias;
5) Parassociologia: existência de comunidades extrafísicas que interagem com a realidade intrafísica ou vida humana;
6) Evoluciologia, o estudo da evolução das formas de vida, desde as formas primitivas até o serenão, personalidade que já se encontra no final das vidas humanas;
7) Assistenciologia, a evolução baseia-se principalmente na interassistência;
8) Cosmoética, as ações baseadas num código de conduta pessoal além da ética humana em que impera o lema “Que ocorra o melhor para todos”;
9) Proéxis, programação existencial elaborada no período pré-ressoma, visando o êxito evolutivo e compreende a superação de traços imaturos, reconciliações e aprendizados práticos da interdependência (evoluímos em conjunto);
10) Invéxis ou inversão existencial, técnica para o planejamento máximo da vida humana pautada em valores assistenciais, não-dogmáticos e cosmoéticos para o cumprimento da proéxis

Além do conteúdo relativo à conscienciologia, é importante compreender alguns aspectos históricos e característicos das tatoos.

A tatuagem teve origem independente em locais diferentes da Terra, sendo inventadas várias vezes, em diferentes momentos, com maior ou menor variação de propósitos, técnicas e resultados. Dependendo da época, transmitia poder, cultura e realeza, ou então, caracterizava marginalidade (RODRIGUES, 2006). Devido à origem múltipla, a tatuagem foi recorrente em muitos povos e épocas. Na Idade Média, a tatuagem foi banida da Europa, com o argumento de que era “coisa do demônio”. Essas pessoas eram perseguidas, aprisionadas e mortas em fogueiras pela Inquisição. A partir da Idade Moderna, observa-se uma disseminação da tatuagem para segmentos diversos da sociedade: Foi introduzida no Ocidente com as expedições que colocaram os europeus em contato com as culturas do Pacífico. Nessa época, não existiam tatuadores profissionais, mas alguns amadores já estariam a bordo dos navios e em grandes portos; na segunda metade do século XIX, as tatuagens tornaram-se moda entre a realeza européia; no final do século XIX, a febre da tatuagem espalhou-se pela Inglaterra graças à prática dos marinheiros ingleses; na Idade Contemporânea, ao descobrirem que tatuar era contrário aos princípios da lei judaica, os nazistas passaram a gravar na pele dos prisioneiros os números que os identificava na prisão (RODRIGUES, 2006).

Ao longo do tempo, a tatuagem foi ficando mais  comercial, tornando-se popular. A partir das décadas de 50 e 60, houve disseminação para novas camadas da sociedade. Entretanto, durante muito tempo, a tatuagem esteve associada a classes sócio-econômicas mais baixas, aos militares, aos marinheiros, às prostitutas e aos criminosos.

Cada vez mais a tatuagem perde o estigma marginal que costumava caracterizá-la e está nos corpos de pessoas de várias idades e classes sociais. Hoje são usadas na estética para recomposição de sobrancelhas, delineamento dos olhos e lábios, cobertura de manchas e cicatrizes. Lentamente, passa a ser reconhecida como arte devido às iniciativas dos tattoo clubs que promovem exposições, competições entre os melhores trabalhos e realizam convenções para a atualização e modernização dos métodos de aplicação e de assepsia.

A mídia soube explorar bem o público e a lucratividade do negócio. É possível associar as tatuagens a celebridades. Também são comuns alguns chicletes do público infantil terem como brinde uma tatuagem do tipo decalque. Devido à divulgação e descriminalização da tatuagem, verifica-se o boom no seu uso, principalmente entre os jovens e adultos com idade entre 18 e 30 anos, das classes A e B (RODRIGUES, 2006). É símbolo de status entre jovens imaturos (VIEIRA, 1994, p.468). 

Os psicoterapeutas acreditam que os adolescentes se tatuam para unir a necessidade interna de pertença a uma forma externa e simbólica de lidar com essa sensação de pertencer a alguma coisa (RODRIGUES, 2006). São muitos os motivos que levam a decisão de colocar uma tatuagem permanente: beleza, homenagem a alguém, pertença a um grupo etc. A tatuagem segue diversos estilos e vai desde a florzinha, aos tribais e ao extremo da bodymodification (modificação corporal).

A mídia populariza o uso da tatuagem mas não divulga os riscos ao fazê-las: contaminação por doenças como AIDS, hepatite, alergias, outras infecções, abscessos e quelóides. Para aprofundar a relação com a saúde, numa tatuagem normal, a pele leva três mil picadas por minuto a uma profundidade de dois milímetros. O cérebro produz endorfina após 15 minutos da tatuagem (vício?). Os tatuadores freqüentemente apresentam tendinites e doenças vasculares na perna devido a posição prolongada para executar o trabalho (RODRIGUES, 2006). É consenso entre dermatologistas que a tatuagem é uma agressão ao corpo humano. Ao passar dos anos a tendência é que a tatuagem fique borrada e a proteção ao sol deve ser permanente.

As leis exigem a maioridade para aqueles que desejam se tatuar. Uma das causas para a proibição para menores é o risco de arrependimento futuro. As estatísticas mostram que, em média, 5 anos depois de ter feito uma tatuagem, a pessoa se arrepende e quer removê-la (PELE, 2008). Os motivos são variados. As pessoas enjoam do desenho ou terminam um romance e querem retirar o nome do antigo parceiro, ou ainda passam a ter idéias diferentes daquelas que originaram a tatuagem.

O certo é que a maioria das pessoas se arrepende e quer remover o desenho (PELE, 2008). Apesar do avanço da tecnologia, a retirada da tatuagem ainda é um processo difícil, doloroso e caro. Além disso, o risco de cicatrizes, manchas e da não-retirada de alguns pigmentos é alto. A retirada das tatuagens ainda representa a troca de uma lesão por outra.

Mesmo com todas as contra-indicações, a discriminação, as estatísticas de arrependimento e dificuldades de retirada, muitas pessoas se dispõem a sacrificar suas peles para gravar figuras que cativam, polemizam e embelezam os seus corpos.

Pela conscienciologia, sabe-se que a manifestação humana é realizada através de pensenes (pensamentos, sentimentos e energias), ou seja, ao tatuar-se a pessoa está manifestando multidimensionalmente um posicionamento pessoal relativo aquele momento. Sabe-se que cada posicionamento faz rapport, cria afinidades energéticas, portanto, quando a pessoa tatua-se, afiniza-se com um tipo definido de energia.  Como a marca dificilmente será apagada, os desenhos evocarão constantemente uma época remota. Enquanto a evolução é um movimento de mudança contínua, a tatoo representa a imobilidade da consciência presa a épocas, idéias, consciências e energias que já passaram.

Segundo Almeida (2005, p.177), invéxis é evitação de maneira cosmoética do maior número possível de aprisionamentos existenciais, visando à execução plena da proéxis através da liberdade de expressão consciencial maior. A tatuagem pode se caracterizar como evitação da invéxis dependendo do alcance das interprisões grupocármicas e das seqüelas holossomáticas estabelecidas na conscin.

Vale a pena os jovens refletirem a real motivação de fazer a tatuagem uma vez que a proéxis está muito além de um simples desenho gravado na pele. Enquanto muitos jovens preocupam-se em valorizar seus corpos, o inversor foca seus esforços na valorização da sua intelectualidade, na expressão máxima dos valores cosmoéticos e assistenciais. A tatuagem torna-se algo meramente egocármico e infantil em proporção à necessidade assistencial que existe na Terra. Além disso, aprofundando na teática conscienciológica, ficam claras as conseqüências negativas dos grifos/desenhos registrados na pele.

Numa abordagem conscienciológica, sob a ótica do paradigma consciencial, a tatuagem pode ser definida, como um estigma somático, egocármico e grupocármico, que sinaliza os traços pessoais imaturos do porão consciencial (expressão acentuada da instintividade durante a infância e adolescência) e subjugalidade às consciexes (consciências extrafísicas) menos evoluídas do grupocarma.

A partir desta premissa, também se pode afirmar que a tatuagem representa a ação anti-proéxis (contrária a programação existencial) da conscin e propensão a interprisões grupocármicas mais sérias e acidentes parapsíquicos e, diante disso, a perda da possibilidade de aplicação da técnica da invéxis (inversão existencial).

Concluindo, a tatuagem possui registros de 5.200 anos passados, mostrando relação com aspectos primitivos humanos. A juventude se tatua devido a motivações passageiras, exacerbação do porão consciencial e por carências diversas. É marca ou estigma multidimensional indelével constituindo uma conduta antiproéxis e anti-invéxis.

Desta maneira, propõe-se o aprofundamento dos seguintes questionamentos: Por que a tatuagem ainda é um hábito tão comum na sociedade? Já é possível a eliminação do hábito de tatuar-se? A tatuagem é um entrave à evolução consciencial?

Alguns temas conscienciológicos que se relacionam com as tatoos: autoestigma, estigma grupocármico, estigma assediador; condição antissomática, antifisiologia, subjugalidade, autografia cutânea, comunicação indireta, megafrustação humana, acobertamento. A relação entre tatuagem e os temas descritos pode ser aprofundada com a leitura dos verbetes da Enciclopédia da Conscienciologia (VIEIRA, 2007).

Bibliografia

1. ALMEIDA, Julio. Qualificações da Consciência. Foz do Iguaçu, PR: EDITARES. 2005.
2. HOUAISS, Antonio & VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, RJ: Objetiva. 2001.
3. PELE, a dermatologia na internet. Novo laser elimina tatuagem completamente Maioria se arrepende após 5 anos e quer retirar tatuagem. Disponível em: http://www.apele.com.br/tratamentos/read.asp?104. Acesso em: 10.02.2008.
4. RODRIGUES, Apoenan. Tatuagem: dor, prazer, moda e muita vaidade.  São Paulo, SP: Editora Terceiro Nome. 2006.
5. VIEIRA, Waldo. Enciclopédia da Conscienciologia – 720 verbetes. Foz do Iguaçu, PR: EDITARES. 2007.
6. VIEIRA, Waldo. 700 Experimentos da Conscienciologia.  Rio de Janeiro, RJ: IIPC. 1994. 

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