Aprenda como conquistar a autonomia financeira conhecendo as principais decisões que impactam suas finanças desde a juventude.

Autonomia financeira
Fonte: Exame

Você sabe quando deve começar a organizar suas finanças? Muitas pessoas aguardam a necessidade de pagar contas para começar a pensar em ter autonomia financeira e isso dificulta tudo.

É provável que essa negligência com as finanças pessoais ou atenção tardia ao assunto seja a principal causa de o endividamento ser a realidade de muitos brasileiros.

De acordo com o site G1, o percentual de endividamento do brasileiro atingiu seu maior nível em 11 anos, sendo mais acentuado nas famílias de menor renda (Ano-base 2021).

A pertinência desse assunto para a grande maioria das pessoas deveria torná-lo um dos temas centrais de debate e interesse ainda na fase da infância. Em adição aos estudos de matérias clássicas do currículo escolar, a autonomia financeira deveria compor os Trending Topics entre os jovens.

A autonomia financeira é o primeiro passo para desenvolver uma saúde financeira sólida e duradoura, evitando surpresas e apertos financeiros ao longo da vida. Ignorar essa realidade leva aos desmandos e descuidos financeiros que endividam milhões de pessoas e complicam algo que deveria ser simples como descrevemos a seguir.

O QUE É AUTONOMIA FINANCEIRA?

Há diversos conceitos avançados no campo das finanças, contudo a carência de entendimento sobre o tema está presente, ainda, nos conceitos mais básicos como a autonomia financeira. A definição mais objetiva de autonomia financeira é ser capaz de arcar com os próprios gastos, ou pagar as próprias contas.

Não importa se as contas são em forma de boleto – palavra cringe segundo o jovem da geração Z – ou são pagas através das digital wallets, seja qual for sua geração, é preciso entender que sua vida tem um custo e ninguém melhor que você para se responsabilizar por ele.

Se você recebe ajuda financeira de alguém para pagar suas contas, seja pai, mãe, irmão ou irmã mais velha, avô, avó ou mesmo o auxílio emergencial do governo. Se vive de renda de um negócio ou investimento que não é seu. Se sua fonte principal de receita para o pagamento de contas é uma pensão ou herança. Isso significa que você ainda não possui autonomia financeira e esse artigo pode lhe ser muito útil.

QUANDO DEVO COMEÇAR A PENSAR EM AUTONOMIA FINANCEIRA?

Façamos um raciocínio simples: Caso pudesse escolher, quanto tempo gostaria de ter para se preparar para perseguir a renda ou salário que precisa para bancar a vida que você deseja ter, sem se endividar? Um ano ou dois? Dez anos?

Nem sempre se tem todo esse tempo. A realidade muitas vezes obriga a busca pelo próprio sustento repentinamente, sem qualquer aviso. Daí surgem os empreendedores por sobrevivência ou necessidade, daí surgem os jovens ainda pouco qualificados que acabam por aceitar, sem critérios, quaisquer condições de trabalho. Nesse contexto, inicia-se a vida financeira ou economia pessoal com o pé esquerdo” e a trajetória tende a ser mais complicada.

É por essa razão que defendo aqui, a educação precoce quanto às finanças. Essa medida simples pode encaminhar uma geração de jovens para adentrarem o mercado de trabalho mais preparados, e com mais chances de contribuir economicamente em vez de ser refém do dinheiro.

Entretanto, antes mesmo de saber QUANDO deve-se começar a pensar em autonomia financeira, é preciso pensar no QUEM. Quem irá promover a educação financeira precoce? Essa pergunta é muito importante. Não adianta esperar o conhecimento chegar até você, muito menos o dinheiro. A autonomia precisa ser conquistada por ninguém diferente de VOCÊ. Mas calma, estamos aqui para ajudar. Se você chegou até aqui sozinho, significa que está no caminho certo!

A própria organização social nos dá orientação importante. No Brasil, a idade mínima para o jovem começar a trabalhar é 16 anos ou 14 anos como menor aprendiz (Ano-base 2021). Nesse sentido, se você acha que precisa de uma década para se preparar para perseguir a autonomia financeira, surpresa! Você já deve estar atrasado.

Para ficar 10 anos se preparando para, aos 16 anos de idade adentrar o mercado de trabalho, você deveria ter começado a estudar finanças pessoais assim que adquiriu habilidade suficiente para ler esse artigo (no Brasil a alfabetização ocorre por volta dos 6 anos de idade).

A verdade é que o tempo necessário para a preparação depende muito da aplicação de cada um no assunto, além de talentos inatos, ou influência adequada do meio em que se vive. Por vezes a influência familiar não é positiva e atrasa os primeiros contatos com o assunto. Em outros casos o interesse por compreender as finanças é despertado logo cedo, nos primeiros anos da pré-adolescência.

O ideal seria ter suficiente contato com o assunto para tomar as principais decisões que impactam a vida financeira da pessoa, com embasamento e racionalidade. A seguir são elencadas 10 decisões capazes de alterar os rumos da sua vida financeira que você provavelmente nem pensou estarem impactando no seu bolso.

DECISÕES FINANCEIRAS DE DESTINO

  1. PRÁTICAR ESPORTES, ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL, OU JOGOS ON-LINE E SALGADINHO? Ainda na fase da infância há crianças que dedicam seu tempo livre à hábitos sedentários e consomem alimentos de baixa qualidade nutritiva. A prática de esportes e alimentação saudável na infância podem gerar economias consideráveis durante a fase adulta, reduzindo despesas de saúde e sustentando a rotina produtiva de trabalho.
  2. CUIDADOS ODONTOLÓGICOS PREVENTIVOS OU CÁRIES? O tratamento dentário tem custo elevado no Brasil (Ano-base 2021). O descuido na escovação e limpeza periódica pode gerar despesas futuras, principalmente após o desenvolvimento da dentição definitiva.
  3. ESTUDO DE FINANÇAS PESSOAIS OU SÓ BRINCADEIRA? A fase infantil permite a aplicação livre do tempo, na maioria dos casos, por não haver maiores preocupações, ditas “de adulto”. A decisão por dedicar tempo ao estudo de finanças pessoais desde cedo pode orientar as futuras escolhas de destino e, é em si, uma decisão a ser tomada. Onde é melhor investir o tempo?
  4. ESTÁGIO, MENOR APRENDIZ, CURSO PROFISSIONALIZANTE OU NETFLIX? Durante a adolescência, pode ser opção inteligente, investir o tempo em experiências precoces de trabalho. Esse caminho, muito comum em outros países ainda não é escolha unanime. O contato precoce com o mercado de trabalho é fator importante na conscientização do jovem quanto a sua responsabilidade frente a vida, e o dinheiro.
  5. CARREIRA DE ABUNDÂNCIA OU ESCASSEZ FINANCEIRA? A escolha da carreira profissional, que ocorre mais definitivamente entre 15 e 18 anos, pode traçar rumo dificultoso em termos financeiros. Sem que o nível de remuneração da carreira seja o fator principal para a decisão, é possível escolher, dentre as opções possíveis e de seu interesse, aquelas que tem mais chances de trazer boa remuneração. (Para mais informações sobre escolha da carreira clique em: assinvexis.org/carreira-profissional-escolha-de-maneira-lucida/)
  6. MORAR COM OU SEM OS PAIS? A decisão de morar sem os pais gera maior assunção de responsabilidades ao jovem, promovendo uma das principais conscientizações quanto à autonomia financeira. Importante frisar que estamos falando aqui do jovem que mora sem os pais e precisa arcar com seus custos de vida. Essa decisão deve ser tomada o quanto antes para evitar os efeitos do “filho canguru” (se quiser saber mais sobre a geração canguru clique aqui: assinvexis.org/geracao-canguru-a-geracao-que-resolveu-adiar-a-saida-da-casa-dos-pais/).
  7. MORAR SOZINHO OU DIVIDIR? A possibilidade de dividir a moradia e os gastos fixos da casa com alguém, dentro de um relacionamento afetivo-sexual sadia é condição que pode otimizar a vida financeira do casal a partir da sinergia e economias de escala que podem ser geradas. (Quer conhecer uma técnica para viver em dupla visando ampliar a assistência aos demais? Clique aqui: assinvexis.org/relacionamento-namoro-e-casamento-ou-dupla-evolutiva/).
  8. ESPECIALIZAÇÃO DE CARREIRA OU GENERALISMO? Ao longo do desenvolvimento profissional por vezes ocorre a saturação da atual área de atuação e se faz necessário mudar de área ou carreira. Por mais que essa decisão seja melhor que permanecer frustrado na condição em que se está, é importante evidenciar que um caminho de especialização tende a promover a valorização e aumento dos rendimentos financeiros. Nesse sentido, importa planejar os próprios rumos para reduzir ao máximo as necessidades de reposicionamento profissional (Caso queira aprofundar sobre planejamento de vida, clique aqui: https://assinvexis.org/artigos/como-planejar-desde-a-juventude/)
  9. GASTAR O QUE POSSO OU GASTAR O QUE QUERO? O que buscamos nesse artigo é orientar quanto a conquista da autonomia, portanto o ideal seria QUERER gastar uma quantidade de recursos que seja possível pagar com sua renda atual, ou seja, gastar o que se pode. O problema é que, normalmente, se quer gastar mais do que se pode. Essa simples decisão é tomada todos os dias, quando escolhemos o que consumimos. Cabe ressaltar que algumas decisões de consumo geram impactos longos e duradouros, gerando compromissos que podem pesar no orçamento. Recomenda-se a máxima reflexão quanto ao consumo pessoal, sobretudo nas decisões que envolvem maior volume financeiro (compra de imóveis, automóveis, financiamentos, empréstimos, assinaturas com cláusula de fidelidade, entre outras).
  10. GANHAR O QUE QUERO OU GANHAR O QUE POSSO? O dinheiro é um recurso escasso. Se você não tiver ações objetivas para ampliar seus ganhos, muito provavelmente ele irá para a mão de outras pessoas e não a sua. Não há uma meritocracia estabelecida na qual seu bom trabalho será naturalmente recompensado. Embora o bom trabalho seja um ótimo começo, ele nem sempre será suficiente para desenvolver seus ganhos financeiros. Por isso, acomodar jamais! Decida pelo maior esforço hoje, para construir a melhor condição de amanhã.

Estar preparado para pôr em prática as melhores escolhas nos itens enumerados acima pode carimbar seu passaporte para a conquista da autonomia financeira. Entretanto, ainda que você chegue a essa conquista, as decisões futuras podem ser erradas, as coisas podem sair do previsto e o fantasma da dependência financeira ou endividamento pode voltar a te assombrar. Por isso, é preciso saber como gerenciar a própria autonomia financeira.

COMO GERENCIAR A AUTONOMIA FINANCEIRA?

A matemática básica permite a conclusão de que basta ganhar mais do que se gasta para garantir a própria autonomia financeira. Outra maneira um pouco diferente de se ver seria dizer que é preciso gastar menos do que se ganha. Na primeira abordagem o enfoque está em ampliar os ganhos para sustentar os gastos pessoais. Na segunda abordagem o enfoque está em controlar os custos para que não superem os ganhos pessoais.

Qual dessas abordagens parece melhor? Essas abordagens expressam faces da mesma moeda. Por vezes será possível ter ideias de ações práticas e objetivas para a geração de mais receita, mais renda, aumento de salário. Outras vezes essas ações serão incompatíveis com o momento (a situação de uma pessoa que acaba de ser promovida, por exemplo) e pensar em redução de gastos pode ser a opção melhor para aquele momento.

A análise de longo prazo nos permite planejar ações de aumento de ganho e redução de gastos sempre visando equilibrar a balança das finanças pessoais para a manutenção cada vez mais segura e sólida da autonomia financeira.

O aprendizado dessa prática de equilibrar a própria balança financeira gera maior domínio dessa condição e uma prática saudável para garantir a consolidação da sua autonomia financeira e se libertar mais definitivamente dos apertos financeiros é a constituição de uma reserva de segurança.

A reserva de segurança é a prática de reservar um montante de dinheiro capaz de sustentar seus custos pessoais pela quantidade de meses necessários ao seu reestabelecimento da fonte de renda, caso haja algum problema com ela. Um exemplo de uso dessa reserva é quando ocorre a perda do emprego. Caso a pessoa tenha uma reserva de segurança ela é capaz de manter sua autonomia pela quantidade de meses necessários à conquista de um novo emprego. Vale ressaltar que quanto menos estável for a fonte de renda da pessoa, maior precisará ser sua reserva financeira.

Desejo que com essa leitura você esteja motivado a tomar as melhores decisões financeiras de destino, conquistar a autonomia financeira e consolidá-la para ter uma vida mais feliz e organizada, sem apertos financeiros.

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REFERÊNCIAS