Conheça a vida de Isaac Newton analisada sob a ótica da inversão existencial.

Isaac Newton, um dos maiores nomes da Ciência clássica, e uma personalidade intrigante. Inventor do cálculo, propositor das leis do movimento e da gravitação universal e fundador dos princípios que regem a física até os dias atuais. Viveu uma vida estranhamente obsessiva, sem amigos íntimos ou relacionamentos afetivos. Dirigiu com diligência a Casa da Moeda Britânica e presidiu a Royal Society.

Retrato de Isaac Newton na meia-idade, óleo sobre tela de Sir Godfrey Kneller concluído em 1702
Sir Isaac Newton em 1702 por Godfrey Kneller.

Infância e Adolescência de Isaac Newton

Newton nasceu em 25 de dezembro de 1642, em uma fazenda no interior da Inglaterra, na cidade de Woolsthorpe. Nasceu no mesmo ano que Galileu Galilei morreu. Como era muito místico, este fato o fez entender que devia dar continuidade aos estudos do grande cientista.

Logo depois no início de sua adolescência, entre 12 e 16 anos Newton tinha o hábito de copiar os textos que lia. Copiava as vezes manuscritos inteiros, com instruções de desenhos, receitas para fazer cores e técnicas de fundir metal. Bem como, nesta mesma idade chegou a fazer em seu caderno de anotações, a longo de 42 páginas, um pequeno dicionário com mais de 2,4 mil palavras. Por outro lado, na escola, era um aluno medíocre, nem ruim, nem bom.

Aos 16 anos saiu de sua casa para estudar na Kings School. Ficou hospedado na casa de um boticário (farmacêutico), consequentemente teve acesso a livros e aprendeu como manipular ervas, fazer medicamentos e até mesmo catalogar plantas e ingredientes. Nesta época era ansioso, solitário e competitivo portanto com frequência brigava com os outros garotos da escola no pátio do colégio. Diziam que ele se apaixonou pela afilhada do boticário.

Nesta idade é evidente seu porão consciencial, isto é, a fase de comportamentos imaturos e instintivos. Ou seja, seu caso, mostra-se um comportamento anti-social e agressivo. Chegou a ameaçar incendiar a casa de sua mãe e padrasto.

Ingresso na Universidade

Seu tio organizou uma maneira e enviar o jovem, com 19 anos, para a Universidade de Cambrige. Nesta época, ele encarava o aprendizado de forma obsessiva, como uma busca a serviço de Deus. Extremamente religioso, costuma escrever confissões em seu caderno, como: “ansiar por dinheiro, conhecimento e prazer mais do que por Vós [Deus]”. 

Nesta época, o currículo das Universidades britânicas estava ultrapassado. Aristóteles era a maior autoridade em todos os campos de conhecimento. Mesmo assim, Newton foi capaz de estudar filósofos como René Descartes e astrônomos como Galileu Galilei. Além disso, na mesma época que Newton ingressara na faculdade, Cambrige teve pela primeira vez um professor de matemática, Isaac Barrow. Coincidência curiosa, não é mesmo?

Em suma Newton mostra-se precoce e intensa sua relação com o autodidatismo. Muito mais do que um mero acadêmico, Newton sabia encontrar quais os conhecimentos mais prioritários para sua programação existencial. Por hipótese, deve haver alguma intervenção de amparo extrafísico.

Vida Afetivo-sexual

Aos 27 anos, Newton tornou-se professor no Trinity College. Os professores precisavam fazer juramentos cristãos para permanecerem no cargo. Além disso, a castidade era obrigatória e o casamento era proibido.

Aos 50 anos, Newton nunca chegara a se relacionar afetivamente com uma mulher. Seus amigos tentavam arrumar-lhe amantes, mas ele se enfurecia. Enquanto isso disse que o caminho para a castidade era ocupar a mente com estudos e meditações filosóficas.

O médico que o examinou após sua morte, afirmou que este nunca sentira “o gosto do pecado”. Entretanto, não passa de uma especulação. Porque realmente Newton não teve um relacionamento afetivo-sexual duradouro com nenhuma pessoa ao longo de sua vida e não há registros de relações casuais.

As principais descobertas

Em 1665, por causa da peste negra, precisa se mudar para sua fazenda. Nesta época, totalmente isolado em seu quarto, fez as maiores descobertas de sua vida e com apenas 23 anos.

Primeiro, começou a reformular a matemática. Desenvolvia séries infinitas, prática ainda pouco dominadas em sua época. Criou então o cálculo diferencial e integral, chamado por ele nessa época de método das fluxões.

Em seguida, observando as macieiras do jardim de sua casa, teve o insight da lei da gravitação universal: a gravidade era uma força emanada pelos corpos, e não uma propriedade do espaço. Com isto, também propôs novas 3 leis do movimento, conhecidas hoje como as 3 leis de Newton.

Por fim, também fez o seguinte experimento: deixou seu quarto às escuras e fez um furo na veneziana, deixando um feixe de luz solar entrar pelo buraco. Colocou um prisma entre o feixe de luz e a parede, vendo a luz branca do sol dividir-se nas sete cores do arco-íris.

Gravura do experimento decomposição da luz com prisma realizada por Isaac Newton

Sua omissão, no entanto, foi postergar a publicação de suas descobertas. Embora fizesse suas primeiras descobertas no início da juventude, veio a publicadas somente depois dos 30 anos de idade e por insistência de um de seus amigos.

Vida Social e Intelectualidade na Meia Idade

Isaac Barrow convidou Newton para participar das reuniões da Royal Society. Ele optou por não comparecer às reuniões presencialmente. Em vez disso, preferiu escrever uma longa carta expondo seu experimento com o prisma e suas conclusões sobre as propriedades da Luz. Em 1672, aos 30 anos, Newton faz sua primeira tentativa de se expor em público. 

Junto à Alquimia, a Teologia mostrou-se como um dos principais interesses da meia idade do pesquisador. Newton era mais bruxo que cientista. Paradoxalmente, devido ao método de pesquisa de suas obras posteriores, ele foi o responsável por purgar da ciência qualquer aspecto místico.

Embora acreditasse em um Deus “eterno e infinito”, por outro lado era contra a Santíssima Trindade. Acreditava que a crença em Jesus e no Espírito Santo eram um pecado de idolatria.

No entanto, ele lia as escrituras obstinadamente. Tinha uma fascinação especial por profecias, pelas quais chegou a desenvolver métodos de interpretação. Chegou a comparar Bíblias em inglês, latim, grego, hebraico e francês, escritas em diversas épocas. Com isso, concluiu que as escrituras contemporâneas haviam sido adulteradas para fortalecerem a imagem de Jesus Cristo.

Portanto nesta fase da vida novamente percebe-se a omissão assistencial do cientista. Todo estudo feito por ele nesta época nunca foi publicado. Entretanto, possivelmente sua inclinação para estudos místicos talvez tenha lhe dado abertura para o estudo do parapsiquismo em outras vidas.

A Publicação de Seu Primeiro Livro

Em 1684, Halley e Hooke estava tentando entender porque os planetas se moviam em torno do Sol em um movimento de elipse. Depois de não chegarem a nenhuma conclusão – talvez por debaterem esses assuntos tomando cerveja, mandaram uma carta para o Newton pedindo ajuda. É claro que Newton se gabou dizendo que sabia o porquê e respondeu uma carta enunciando a lei da gravitação universal.

Halley ficou enlouquecido com a resposta de Newton e foi atrás dele para saber mais sobre o assunto. Depois de ler diversos textos de Newton, decidiu então que iria patrocinar a publicação de seu primeiro livro.

O livro se chama Princípios Matemáticos da Filosofia Natural. Nele, Newton apresenta a lei da gravitação universal e suas três leis do movimento – aquelas que você estuda na escola – e a aplicação deste conhecimento.

Com muita matemática, calcula os movimentos dos planetas, da lua, do movimento das marés, tudo isso com uma precisão enorme. Além disso, neste livro ele descreve como deveria funcionar a Ciência. Logo depois, este livro inaugura a ciência como a conhecemos. Ao passo que foi escrito com uma linguagem bastante inacessível, pois ele não queria ser “perturbado com leigos em matemática”.

Esta obra do Newton fez exatamente isso. Depois de sua publicação, todo o desenvolvimento da física, da química, da matemática e da engenharia foi impulsionado. O método científico foi inaugurado, a matemática foi trazido para o centro das ciências físicas e o misticismo foi purgado das investigações científicas.

Carreira Profissional

Em 1696, Newton abandonou para sempre sua clausura em Cambrige. Foi convidado pelo Rei para dirigir a Casa da Moeda. Como resultado a universidade foi seu lar por 35 anos, ele saiu de lá sem olhar para trás e nem deixar amigos. Bastante ingrato, não é mesmo?

Seu novo trabalho era bastante lucrativo e exigia pouco esforço físico e mental. Por consequência exigia pouca matemática, basicamente só as 4 operações básicas – igual todos os empregos de pessoas normais – mas a contabilidade era bastante complexa.

Moeda comemorativa de cinco libras com a gravura de Isaac Newton
Moeda comemorativa de cinco libras com a gravura de Isaac Newton

Além de ganhar um salário alto, ele ainda ganhava uma porcentagem das moedas que fabricava. Com esse trabalho, ficou milionário. Desde o século XVII, ser funcionário público te deixa rico mais rápido do que ser um gênio da física. Vai entender.

Newton foi convidado para ser presidente da Royal Society e aceitou o convite. Ele era definitivamente um dos membros mais insuportavelmente chatos: ia à todas as reuniões, comentava sobre todos os assuntos e não aceitava ser contrariado.

Análise da vida de Isaac Newton sob uma nova perspectiva

Esta análise será realizada sob a ótica da inversão existencial, nesta técnica evitam-se filhos, casamentos, comprometimentos religiosos ou políticos, além da dedicação à uma carreira profissional assistencial, ao desenvolvimento do parapsiquismo, do autodidatismo e da assistência. Assim também ela se inicia na adolescência, onde precocemente busca-se a evolução. Newton vivenciou muitas premissas desta técnica, entretanto será que podemos dizer que ele à vivenciou?

Nesta nova perspectiva busca-se aproveitamento máximo da vida humana com base no Universalismo, na Cosmoética e da Multidimensionalidade. Seu objetivo é o desfrute evolutivo da existência, partindo da premissa de que somos uma consciência e não somente o corpo físico.

Análise dos pontos positivos da vida de sua vida

A inversão existencial, ou invéxis, tem dois coadjuvantes: os amparadores extrafísicos e o autodidatismo. Em sua juventude, percebe-se claramente este segundo coadjuvante. Embora não fosse o melhor exemplo na escola, buscava de forma autônoma os conhecimentos que considerava útil para sua vida.

Desta forma o amparo extrafísico se mostra presente em suas escolhas de livros e encontro com pessoas, mostrando sua relação com o primeiro coadjuvante da técnica.

A unidade de medida da invéxis é a precocidade e esta qualidade não faltava em Newton. Ao passo que com apenas 23 anos foi capaz de cruzar a fronteira do conhecimento de sua época. Nisto pode-se observar outra qualidade invexológica do pesquisador: a habilidade de priorizar o mais evolutivo para sua vida.

Quem aplica a invéxis procura fazer assistência ainda na juventude, não esperando a aposentadoria para isto. Esta assistência é baseada na tarefa do esclarecimento, isto é, na produção e divulgação de conhecimentos libertários para as consciência. Newton fazia este tipo de assistência. Antes de atingir a maturidade biológica – 26 anos de idade – foi capaz de resolver questões misteriosas para grandes nomes anteriores à ele, como Galileu, Copérnico, Kepler e Tycho Brae.

Publicação de Livros

Outro ponto positivo da vida de Isaac Newton foi a publicação de livros. Sob o mesmo ponto de vista a técnica da invéxis objetiva o exclusivismo às gestações conscienciais (gescon), isto é, livros capazes de trazer conhecimentos libertário para humanidade. Dessa maneira as gescons não se resumem à obras intelectuais, pois elas são a materialização de conhecimentos capazes de renovar o conhecimento humano.

O aplicante da técnica da invéxis busca construir uma carreira profissional sólida e assistencial, de modo que lhe gere renda suficiente para pagar seu gastos pessoais. Busca também conquistar independência financeira, a fim de conseguir liberdade para seus estudos e pesquisas. Newton fez isso de maneira inteligente. Entretanto, teve falhas em termos de Cosmoética.

Análise dos pontos negativos de sua vida

Devido às críticas recebidas por suas proposições pela luz, 15 meses depois de sua eleição para Royal Society, ele decidiu se retirar da sociedade e de toda troca de cartas. Além de teimoso e inflexível, Newton não tinha maturidade emocional para lidar com críticas, ficando ausente da sociedade científica por anos.

Newton ficava dias em seus aposentos em Cambrige, sem se importar com refeições ou descanso. Quando saía, ficava igualmente isolado no salão principal da Universidade. Seus colegas aprenderam a não lhe perturbar, enquanto ele permanecia sozinho e distraído desenhando diagramas no chão.

Quando exercia seu cargo, liderava grupos de investigadores a fim de punir ladrões e falsificadores de moedas. Quando encontrava algum, dava-lhes sentenças de morte pela forca ou amputação das mão. Estas atitudes são frontalmente antagônicas à invéxis, pois esta é uma técnica que visa a vivência máxima da Cosmoética.


Outro ponto importante para a invéxis é o desenvolvimento da afetividade madura, por meio da composição da dupla evolutiva. A dupla evolutiva é uma proposta de relacionamento, sem filhos ou casamento, baseado na confiança e na assistência. Em relação ao cientista, esta sem dúvida foi uma lacuna em sua vida, talvez influenciando em seu temperamento difícil e inflexível.

Conclusões sobre a vida de Isaac Newton

O que Newton descobriu continua sendo a essência daquilo que conhecemos, como se fizesse parte de nossa intuição natural. Mais do que qualquer outro filósofo de sua época, foi o maior arquiteto do pensamento moderno. Graças a suas proposições é que procuramos leis matemáticas para os ciclos econômicos e para o comportamento humano.

Na opinião deste autor, Newton não pode ser considerado um aplicante da invéxis. Isto porque a decisão de não casar e não ter filhos, em seu caso, não foi pensada em lhe dar liberdade, mas sim uma proibição imposta por seu cargo na Universidade. Além disso, ao longo de sua vida foi responsável pela pena de morte de algumas pessoas, o que gera um estigma em sua vida multidimensional. E você, leitor, acha que Newton aplicou a técnica da inversão existencial?

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